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53 anos do assassinato do Padre Henrique - auxiliar direto de Dom Helder Camara




Comandado por governos conservadores e autoritários, a Ditadura no Brasil foi iniciada com o Golpe Militar em 1964. O período foi marcado pelo ataque à democracia e a liberdade, além das intensas repressão, tortura e violência ás figuras públicas que defendiam a igualdade e justiça social. O Padre Antônio Henrique Pereira Neto está entre os professores, estudantes, artistas, ativistas políticos e religiosos cruelmente vitimados durante este período obscuro. Hoje, 27 de maio, completa-se 53 anos do assassinato do católico, que foi torturado e morto, aos 28 anos, por integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e por agentes da polícia civil de Pernambuco.


Padre Henrique era auxiliar direto de Dom Helder Camara, com quem realizou denúncias frequentes e contundentes sobre a violência praticada pela ditadura militar de 1964. Coordenador da Pastoral da Juventude, desenvolvia atividades de inclusão social e recuperação de jovens, além de promover reuniões com a juventude e também com pais para discussão de problemas sociais.


A incidência e atuação sociopolítica do religioso despertou o olhar de repressores o tornando alvo de intenso monitoramento, incluindo através de escutas telefônicas. Dias antes de sua morte, integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) metralharam o Juvenato Dom Vidal, local onde o padre trabalhava. Antes do crime, recebeu uma carta com ameaças de morte assinada pelo grupo, como relatou o Irmão Orlando Lima da Cunha, em depoimento à Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Camara.


A violência cometida contra ele, na madrugada do dia 27 de maio de 1969, foi dada como crime comum no ano seguinte pelo Ministério Público de Pernambuco. Visando evitar uma anulação da decisão, em 1988, o Ministério Público ofereceu uma denúncia-crime contra Bartolomeu Gibson (à época diretor do Departamento de Investigações da Secretaria de Estado e Segurança Pública de Pernambuco − SSP/PE), Henrique Pereira Filho e Rível Gomes Rocha. Contudo, o Tribunal de Justiça de Pernambuco decidiu pelo arquivamento da ação penal contra os acusados.


Indícios encontrados com as investigações realizadas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara e Comissão Nacional da Verdade (CNV) foram cruciais para desconstruir a versão de crime comum e indicar os agentes responsáveis pela execução. Logo, em parecer confidencial enviado ao Ministério Público Federal de Pernambuco, consta que participaram do crime além do investigador da polícia civil Rível Rocha e o diretor do SSP- PE, José Bartolomeu Gibson, os também investigadores Humberto Serrano de Souza, Jerônimo Gibson e Rogério Matos.





Nunca mais


Crucial para o esclarecimento destes e de outros crimes, a Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Camara completa uma década na próxima quarta-feira, 1° de junho. A instituição colabora com a resolução de crimes por motivação política durante a Ditadura Militar no Brasil e consequentemente com a responsabilização dos autores. Contribuindo para o não apagamento da luta e história das vítimas, cruelmente sequestradas, torturadas, mortas ou dadas como desaparecidas, a CEMVDHC resgata a memória dessas pessoas para a importância de lutar pelos direitos humanos e pela democracia no país.


No primeiro de junho, também, a CEMVDHC receberá a Medalha do Mérito Democrático e Popular Frei Caneca como uma das instituições de destaque na defesa da democracia e da igualdade de direitos. A sua atuação é fundamental para que crimes como os praticados contra o Padre Henrique não encontre a impunidade. A condecoração é um acalanto para quem perdeu parentes e figuras da luta social durante os Anos de Chumbo.



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