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O legado e a voz ativa de Luis Tenderini




No dia 1° de julho, aos 79 anos, Luis Tenderini se encantou após uma batalha de quase dois anos contra a leucemia. O ativista foi velado entre a noite do dia 1 e a manhã do dia 2, quando foi sepultado no cemitério de Santo Amaro, na Zona Norte do Recife. O Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social expressa imensa gratidão à sua vida, e homenageia o italiano, ativista, defensor dos direitos humanos, que co-fundou a instituição.


Luta, justiça e amor


“Meu painho, Luis Tenderini. Seu Luiz. Italiano. Vovô. Simplesmente Tenderini. É difícil pensar uma coisa só, ou poucas coisas pra falar sobre um ser tão grande, um ser que transborda” - Sara Tenderini, filha de Luis Tenderini.

“Falar de painho, Luis Tenderini, é lembrar sempre da alegria dele, ele sempre foi um entusiasta da vida, um defensor dos direitos humanos porque ele sempre acreditou nas pessoas” - Helena Tenderini, filha de Luis Tenderini.

"Meu pai era muito muito muito amor. Ele amava as pessoas, ele era amado, ele amava a natureza, os bichos, as plantas, ele era tanto amor e ele vai continuar sendo pra sempre"- Anaê Tenderini, filha de Luis Tenderini.

As palavras emocionadas das filhas revelam o pai e ativista atencioso que Tenderini foi - como bem coloca Helena, “não se separa o ser humano público, do homem que ele era no nosso dia a dia, na nossa casa, na família, no convívio com quem era próximo”. As causas humanitárias, sociais e políticas sempre fizeram parte da vida do ativista e dos caminhos trilhados por ele. Mas além disso, paralelamente, o educador social é lembrado pelo cuidado, delicadeza e gentileza com o próximo. Para Helena, “essas características sempre fizeram dele um grande militante”.




Nascido na Itália, Tenderini era há 53 anos residente no Brasil, onde a militância precisou aflorar em meio à repressão. Foi Presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, na qual Dom Helder foi arcebispo. Junto ao Dom da Paz, era símbolo de defesa dos direitos humanos no país, sobretudo durante o regime militar, com o golpe de 1964. Em entrevista concedida ao Cendhec em março do ano passado, o italiano contou: “No dia 31 de março de 1974, exatamente 10 anos depois do golpe, me encontrava preso no DOI-CODI de São Paulo. Fiquei preso mais de três meses sendo torturado longamente”.


São nestes contrastes que vislumbramos Tenderini: força em meio ao horror; aconchego nos dias difíceis. Amor apesar dos percalços.






O italiano que abraçou Pernambuco


O sócio fundador do Centro Dom Helder Camara era fiel e comprometido com seu ideal de vida simples e dedicada, como lembra Katia Pintor, coordenadora do programa Direitos da Criança e do Adolescente e coordenadora adjunta da organização. “No Cendhec, como conselheiro, esteve presente com humildade, afeto, acolhimento e escuta. Era de alma generosa e de jeito manso. Marcou profundamente cada pessoa que por aqui passou e que teve a oportunidade de conhecê-lo, ouvi-lo. Foi Tenderini quem puxou a comemoração de um novo ciclo com mulheres à frente, homem contemporâneo que era”, ressalta.


Sua luta, potente e constante, gerou frutos tão férteis quanto suas ações. Katia enfatiza: “Tenderini é inspiração! Fundador do Centro Nordestino de Animação Popular, do Cendhec e dos Trapeiros de Emaús, três espaços criados no sentido de agregar, animar e multiplicar o ativismo pelos direitos humanos na educação popular”.


Localizado em Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, o Trapeiros de Emaús foi fundado em agosto de 1996, a pedido do Dom da Paz. A associação sem fins lucrativos realiza um trabalho de coleta de objetos em desuso, recuperação e reciclagem em oficinas de reparo, e venda a preços simbólicos por meio de bazares comunitários. Atualmente, o Trapeiros de Emaús atende 20 famílias e capacita mais de 200 jovens, em eletrônica, refrigeração, informática e eletricidade, na Escola de Educação Profissional Luis Tenderini. Concedido pela Câmara de Vereadores do Recife, a iniciativa conserva o Título de Utilidade Pública Municipal e, além disso, é membro do Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS e do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS.


Manoel Moraes, presidente do conselho do Cendhec, se refere ao italiano como “Um homem do mundo, um defensor de direitos humanos, uma voz ativa, uma vida intensa, de raiz, de simplicidade e de convicção”. Em gratidão e reconhecimento à sua atuação, o presidente do conselho do Cendhec afirma: "Que a sua simplicidade, a sua luz nos ilumine, assim como de Dom Helder, seu amigo pessoal, para que possamos seguir na caminhada da defesa intransigente do estado democrático de direito".

Falando daquilo que ajudou a construir, Tenderini nos disse, em entrevista realizada em agosto de 2021, que "o sentimento é de grande satisfação por ver que valeu a pena lutar esses anos todos para desenvolver a nossa missão”. Mas sabemos que satisfação, de verdade, sentem aquelas e aqueles que puderam desfrutar de sua companhia e comungar dos seus ideais. Temos a certeza de que o ativista completou sua missão nesta terra.


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