• Vitória Alexandra, Alysson Muller

O que é ser jovem? A importância da luta das juventudes para as transformações sociais.

Arte: Vitória Alexandra

No mês de agosto, considerado o mês das juventude, data criada através da resolução 54/120, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, muitas pessoas lançam a seguinte pergunta: ''O que é ser jovem?'' Pergunta fácil de responder, mas difícil de encontrar apenas em uma definição. Pois, ser jovem é querer ultrapassar limites, desprender-se das asas dos pais e das mães, ou seja, tornar-se independente. Ser jovem é querer correr contra o vento de cabelos soltos e sentir o gosto de liberdade percorrendo o corpo. O/a jovem muitas vezes é visto/a como irresponsável, em outros momentos também pode ser exigido que os/as mesmos se comportem como pessoas maduras e responsáveis.

Quando falamos de jovens no Brasil estamos falando de uma ampla faixa etária, o Estatuto da Juventude de 2013, fruto da a Emenda Constitucional 65/2010, estabeleceu que é considerado jovem a pessoa entre 15 e 29 anos, faixa que representa mais de 50 milhões de pessoas, a maior geração de jovens da nossa história[1] (2). Ser jovem muitas vezes também é não saber onde é o seu lugar, é ter a voz silenciada e os direitos violados.

Ser jovem para muitos é ter que abdicar dos sonhos, descer a favela, passar direto do caminho da escola e ir ralar em frente ao semáforo por falta de acesso a políticas públicas que garantam seu pleno desenvolvimento ou acesso ao mundo do trabalho sem precarização ou exploração de sua força de trabalho. Ser jovem nem sempre é festas com os amigos, escolhas irresponsáveis e educação garantida. Com base na PNAD 2015, foi feita uma análise sobre o perfil das crianças e jovens que estão fora da escola no país. A maior parte (aproximadamente 1,27 milhão) está na faixa etária de 15 a 17 anos, e é do sexo masculino (54,8%). 65,5% são negros (pretos ou pardos) e 75,2% estão na área urbana – embora, relativamente, haja mais evasão na área rural. A renda per capita média das famílias desses jovens é de R$ 433 (em valores de 2015), 37% abaixo da renda familiar de jovens que frequentam a escola. Dos adolescentes de 15 a 17 anos que não estão na escola, 31,54% trabalham. E 65,84% das jovens de 10 a 17 anos com filhos não frequentam a escola. (3)

Escutar, incluir as diversidades e oferecer oportunidades são formas de garantir que todos os/as jovens possam vivenciar sua juventude. O direito à moradia, segurança, educação, saúde e cultura são alguns dos direitos essenciais para uma juventude plena, que garanta minimamente igualdades de oportunidades. Ser jovem também é ser velho. Pois, juventude também se carrega na alma; quando amamos, quando ficamos ansiosos, ou mesmo quando tomamos decisões precipitadas, pois envelheceremos rápido. Há uma previsão de que em 2060, 1 em cada 4 brasileiros terá mais de 60 anos, segundo projeção do IBGE em 2018.(4)

É comum em certa etapa da vida, os/as jovens passarem por um período de descobertas e transições, uma das transições mais marcantes de nossas vidas é a que passamos da infância para a vida adulta, é onde vamos em busca da nossa independência e responsabilidades. Com isso, vários jovens correm em busca do seu primeiro emprego, a disputa está cada vez mais acirrada, desumana e não há igualdade de acesso para todos e todas. O número das pessoas sem trabalho voltou a aumentar e passa de 13,1 milhões. Sair dessa situação é um desafio ainda mais difícil se você tem entre 18 e 24 anos. Esse é o cenário revelado por Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo, feito com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mostra que, enquanto a taxa de desemprego de forma geral está em 11%, entre os jovens, a estatística sobe para 26%; mais do que o dobro. Eles também são os que têm mais chance de serem despedidos.

Trago agora minha experiência enquanto ex-jovem aprendiz (nome dado para o 1° emprego), foi bastante difícil para conseguir essa oportunidade, pois, muitas vezes, para conseguimos uma vaga nessa área é preciso ter algum curso profissionalizante, na realidade que vivemos, a falta de acesso a informações ou cursos profissionalizantes que nos ajudaria a está concorrendo de forma igualitária a esta vaga não são oferecidos nas nossas comunidades/escolas. (5)​

Essa é uma das maiores dificuldades que os/as jovens vêm enfrentando, mas nunca devemos desistir, nós como jovens temos que sempre ir à luta em busca dos nossos direitos. Nós não iremos parar até ocupar todo nosso espaço nessa sociedade desigual, excludente e insegura. Somos jovens e vamos defender nossos direitos até o fim, essa luta é minha, é sua! Seguimos em busca de transformações que permitam melhoria em nossas vidas e cotidiano e isso só é possível se juntos unirmos nossas forças para um só propósito, sendo ele: Defender o que é nosso por direito!

Vivemos em uma era onde a desigualdade está crescendo de uma forma muito rápida no mundo, os jovens são considerados os principais responsáveis ou os que mais sofrem as consequências de grande parte dos problemas que encontramos na nossa sociedade. Desemprego, violência, uso de drogas, falta de acesso à saúde, à educação, a lista de questões enfrentadas pelas juventudes é imensa.

Os números mostram que a taxa de homicídios atingiu mais de 35 mil jovens em 2017, segundo o Atlas da Violência e que 23% dos jovens estão entre os considerados "nem nem", o termo "nem-nem" (de "nem trabalha, nem estuda") refere-se à população jovem fora do mercado de trabalho e de instituições educacionais. Diferentemente dos jovens "nem-nem", a chamada geração "nem-nem-nem" inclui uma nova categoria: além de não estudar e não trabalhar, o jovem "nem-nem-nem" também não está procurando emprego formal. Dos jovens “nem-nem-nem”, dois terços são mulheres. A cada 10 meninas da geração "nem-nem-nem" que abandonam a escola, três saem por gravidez precoce. O diagnóstico é da pesquisa "Eles dizem não ao não", realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC). O levantamento inédito analisa o perfil e as motivações do jovem da periferia que nem trabalha, nem estuda, nem está procurando emprego.

Os "nem-nem-nem" são formados, predominantemente, por mulheres negras com filhos, que ainda moram na casa dos pais onde a mãe é a "chefe da família", cujas famílias são cadastradas no Bolsa Família ou detentoras de renda inferior a um salário mínimo, e ex-alunas de escola pública, tendo abandonado os estudos ainda no ensino fundamental por gravidez ou casamento. (6)

No entanto, esses números aprofundam as desigualdades sociais, raciais e de gênero tão presente em nosso país. É fato que temos uma ausência ou deficiência de politicas públicas de juventude que não garante igualdade de oportunidades sobretudo para a juventude negra que sofre ainda mais com a mazela estruturada pelo racismo tão evidente na sociedade. Temos que nos levantar e nos posicionar urgentemente e enfrentar essas questões para que não venha nos prejudicar muito mais. As transformações são muito importantes para nossa geração, pois elas estão traçadas a valores como a nossa sobrevivência, igualdade e dignidade humana. Se queremos hoje essas transformações é preciso iniciativa e através dela incentivar os/as demais, pois são com atitudes que fazemos toda a diferença, estamos falando de um mundo melhor uma cidade e uma sociedade forte e você jovem é o protagonista dessa história, procure conhecer mais a sua comunidade e fazer parte dela em todos os sentidos, envolva-se com os projetos, organizações, associações, grupos, coletivos, escolas públicas, entre outros e vamos juntos e juntas mostrar que estamos aqui para fazer essas mudanças que são necessárias em nosso meio, para a sobrevivência do nosso povo.

Portanto, além de tudo que já foi discorrido no texto, ser jovem é extravasar e ser extravasado. É ser uma mistura louca de tudo o que vida tem para nos oferecer, mas que também nos cobra. Nunca devemos esquecer que essa luta é nossa, juventude brasileira!

1.Jovens do Curso de formação política em Direito à Cidade do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social – CENDHEC.

2.https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2020/02/21/o-que-e-ser-jovem-para-voce.htm?cmpid

3.https://idados.id/blog/quem-sao-os-jovens-que-estao-fora-da-escola-no-brasil

4.https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/07/25/1-em-cada-4-brasileiros-tera-mais-de-65-anos-em-2060-aponta-ibge.ghtml

5.JULIANA KAROLAYNE DE SOUZA FERREIRA é jovem do Curso de formação política em Direito à Cidade do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social – CENDHEC.

6.https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/quem-sao-os-jovens-nem-nem-nem-nao-estudam-nao-trabalham-e-nao-estao-procurando-emprego,d74b6d8732d9e6c62e6d25663981f6908lvixf0k.html

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