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O massacre de Jacarezinho e a violência policial


O massacre de Jacarezinho, fruto da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, deixou 28 mortos. Nas ruas lavadas de sangue, o retrato do despreparo dos que deveriam trazer segurança, a dor daquelas e daqueles que perderam maridos, pais, irmãos e filhos.


De acordo com a família das vítimas, antes da morte muitos rapazes alertaram mães e esposas, na tentativa de sensibilizar a polícia. Achavam que com as mulheres de testemunha teriam chances de ir para a prisão e parar o extermínio. Não adiantou. “Eu fui até lá, tinha quatro coagidos. Falaram que meu filho estava na casa. Fiquei no beco esperando meu filho sair, mas ele não saiu. Meu filho não vai voltar mais.” disse a mãe de Marlon Santana, que tinha apenas 23 anos.

Assim como ela, muitas mães brasileiras se despedem dos filhos dessa forma, arrancados dos seus braços antes do tempo, de maneira violenta. De acordo com levantamento feito pelo G1, ao menos 3.148 pessoas foram mortas por policiais no primeiro semestre de 2020 em todo o país. O número é 7% mais alto que o registrado no mesmo período em 2019, quando foram contabilizadas 2.934 mortes. O Rio de Janeiro é o estado com mais pessoas mortas, com 775 óbitos.

Ainda segundo o levantamento, o quantitativo de policiais mortos em serviço e fora de serviço também aumentou. Ao todo, foram 103 policiais mortos em 2020, contra 83 em 2019, o que representa um aumento de 24%.


Para os especialistas do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), Renato Alves e Fernando Salla, estas vidas são perdidas porque está sendo adotada a “ótica de guerra, onde não cabe a moldura dos controles democráticos e dos limites impostos pelas leis”. "Neste contexto, impõem-se o 'matar ou morrer'. Nessa lógica, tanto as circunstâncias como o próprio viver estão permanentemente em risco. Ainda que uns percam mais que os outros, a maioria perde, pois ninguém está seguro, sejam eles cidadãos comuns ou os próprios policiais."

As frases dos cards acima foram retiradas da matéria da UOL “'Eu preferia morrer a enterrar um filho': O luto de 4 mães do Jacarezinho”. Para ler os depoimentos na íntegra, acesse o portal.

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