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Presidente do Cendhec participa da primeira coletânea sobre a Ditadura em Pernambuco


Para entender o presente, temos que olhar o passado. Na coletânea “Pernambuco Na Mira do Golpe”, organizada pelos historiadores Marcília Gama da Silva e Thiago Nunes Soares, estão reunidos personagens, acontecimentos e eventos da Ditadura Militar, a fim de registrar como suas existências e ações interferiram na construção do cenário atual do estado. Entre as várias vozes e especialistas, o presidente do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social, Manoel Moraes, participa do segundo volume com o artigo intitulado ‘Modernidade e Direitos Humanos: lições do julgamento de Eichmann à luz do pensamento de Hannah Arendt’.


Ao todo, o conteúdo é distribuído em três obras: Pernambuco na mira do golpe: educação, arte-cultura e religião; Pernambuco na mira do golpe: direitos humanos, acervos, política e sociedade; e Pernambuco na mira do golpe: mundos do trabalho e dos trabalhadores. Os livros físicos estão disponíveis para compra e os e-books podem ser baixados gratuitamente pelo site da Editora Fi (editorafi.org/059golpe).

“Esta é, talvez, a mais relevante publicação depois da difusão de todos os informes da Comissão da Verdade Dom Helder Camara, a qual tive a oportunidade de participar representando entidades como o Cendhec”, diz Manoel Moraes. “Esses documentos, livros e artigos organizados na coletânea são, sem dúvida nenhuma, uma grande contribuição dos acadêmicos e pesquisadores que agora estudam a justiça de transição em Pernambuco. Nosso estado foi o epicentro de várias lutas diárias pela redemocratização do Brasil. Os 21 anos de Ditadura são 21 anos de resistência intensa do povo pernambucano por democracia. Neste período nós tivemos o exílio do nosso governador, Miguel Arraes; a perseguição a deputados, com Josué de Castro; perseguição a educadores, com Paulo Freire; perseguição a médicos; enfermeiros; estudantes; trabalhadores do campo e da cidade. Perdemos defensores dos direitos humanos e sindicalistas. Pessoas anônimas, mas que ao longo deste período fizeram todo sentido na história de Pernambuco. Fico muito feliz por fazer parte desta obra e por essa coletânea contribuir para levantarmos a bandeira da democracia hoje, nestes tempos tão sombrios.”


Saiba mais sobre a coletânea

“Durante minha trajetória como pesquisadora e funcionária, passei quase 20 anos no levantando informações sobre o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) para o Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano- APEJE. Desta forma, tive contato com agentes, policiais e investigadores que foram de grande ajuda para compreender todo o conjunto documental”, explica Marcília, organizadora dos volumes. “O acervo do DOPS condensa a mais rica documentação sobre o período republicano. Lá encontramos uma profusão muito grande de pesquisas, mas até então Pernambuco não tinha uma coletânea própria, com autores do estado, que falasse para Brasil e para o mundo o que existe na documentação do extinto DOPS. E foi isso que nos motivou a fazer a série Pernambuco Na Mira do Golpe.”

A trilogia se faz necessária para catalogar e diluir o volume de informações coletadas. “Pernambuco aparece como epicentro de vários movimentos de resistência que aconteceram no Brasil durante o período militar, de 1964 a 1985”, explica a pesquisadora. “A quantidade de trabalhos que se tem sobre o período em teses e em dissertações feitas aqui em Pernambuco nos motivaram a fazer um projeto grande. Inicialmente seria apenas um livro, mas, à medida que fomos convidando colaboradores e recebendo artigos, o conteúdo expandiu.” A seleção do material também contou com documentos encontrados na Universidade Federal de Pernambuco, jornais e nos acervos da Justiça do Trabalho de Pernambuco, que se tornou base para o terceiro e último livro da série.


“Essa coletânea é muito importante não só para a historiografia, mas para a sociedade de um modo geral. É o primeiro trabalho específico e exclusivo sobre a Ditadura Militar aqui em Pernambuco”, frisa o professor e historiador Thiago Nunes. “O trabalho foi escrito de uma forma colaborativa, cada autor é especialista dentro de cada temática tratada nos capítulos. O intuito foi estabelecer múltiplos olhares sobre este período com expertise. Queremos que a sociedade tenha acesso à informação sobre este período de forma gratuita e de fácil entendimento. Estes livros estão suprindo uma lacuna de discussões sobre este período. São mais de mil páginas de materiais, para que a gente não esqueça o que foi a Ditadura Militar; para que este tipo de governo não mais se repita; e para que a população consiga conhecer melhor essa parte da história de Pernambuco, distanciando um pouco do eixo sul e sudeste.”

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